O despertar da consciência e a psicologia transpessoal​

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De acordo com Weil (1976) a psicologia transpessoal coloca em questão a legitimidade da percepção dos cinco sentidos e do nosso racionalismo cartesiano, fruto de automatismos e condicionamentos adquiridos através desses mesmos sentidos. Não sabemos até hoje muito bem o que significa uma percepção “normal”, ou mais ainda o que é ser “normal”; o conceito de normalidade varia conforme as épocas e conforme as sociedades e cultura.

Em síntese de acordo com Sutich (apud SALDANHA, 2008) a psicologia transpessoal, ou quarta força, é uma abordagem da psicologia que não encontra ainda lugar na teoria positivista e behaviorista (primeira força), nem na psicanálise clássica (segunda força), nem na psicologia humanista (terceira força). A psicologia transpessoal se interessa pelas experiências culminantes; pelos valores últimos, pela consciência unitiva, pelos valores do ser (being – ser) êxtase, experiência mística, arrebatamento, pelo sentido da vida, pela transcendência de si, pela espiritualidade, unidade, consciência cósmica, vasta sinergia individual, pelas relações interpessoais e pela sacralização do cotidiano (SUTICH, apud SALDANHA, 2008, p. 44). Neste sentido tem valor a percepção dos cinco sentidos.

A psicologia transpessoal também coloca em questão o processo tradicional de classificar como doente mental toda e qualquer pessoa que tem percepções inusitadas e provindas de áreas fora dos cinco sentidos ou da lógica tradicional. Até que ponto grande proporção de pessoas internadas como psicopatas nos hospitais psiquiátricos não são, na realidade, pessoas normais que estavam a caminho de uma ampliação do seu campo de consciência? Para Weil (1976) há aí um problema grave que a psiquiatria terá de enfrentar um dia. A psicologia transpessoal tem também sua palavra no fenômeno mundial do uso de drogas, mais particularmente as chamadas ‘psicodélicas’; tudo indica que os chamados “viciados” encontram verdades ou estão à procura delas. Uma ajuda mais eficiente poderá ser dada quando as autoridades repressoras forem melhor esclarecidas sobre a natureza das experiências psicodélicas e aqueles que estão à procura das verdades eternas poderão ser esclarecidos quanto a caminhos menos danosos ou mesmo inteiramente seguros. As fronteiras da própria psicologia estão sendo rasgadas com o advento da psicologia transpessoal; o objetivo e o subjetivo, ao se fundirem dentro da realidade total, constituem uma síntese desafiadora para o psicólogo do futuro.

Para Weil (1976) a psicologia transpessoal se caracteriza também pelo estudo dos estados de consciência particularmente o estado transpessoal. Saldanha (2012) sistematiza a abordagem transpessoal a partir de alguns pressupostos básicos: conceito de Ego, cartografia da consciência, estados de consciência, conceito de vida e de unidade. Para ela a pessoa ao tomar consciência de si começa a se auto-organizar e a se solidificar obtendo assim a percepção de si, do mundo e do futuro. Para que ela (a psicologia transpessoal) interaja com a realidade interna e externa, faz uso de diferentes estados de consciência, recebendo influência de diferentes fontes e impulsos provenientes de vários níveis de inconscientes. Para a autora a vida é um pulsar contínuo em que não tem início e nem fim e passamos por várias etapas de mortes e renascimentos, inclusive durante a existência física. Percebe-se assim que há uma Unidade em tudo. Daí a importância do conceito de não-separatividade e de interdependência entre todos os elementos. O ser humano nessa perspectiva é compreendido como um ser bio-psico-sócio-espiritual e cósmico. Por isso essa autora defende uma “abordagem integrativa transpessoal’ onde a pessoa por meio da abordagem transpessoal integra razão, emoção, intuição e sensações (REIS). Estas experiências são integradas à consciência da pessoa possibilitando a emergência de estados de consciência ampliada dando assim sentido e gerando crescimento pessoal, além de mudanças significativas. Essas transformações implicam nas mudanças de consciência e ao se tomar consciência de suas ações a pessoa atinge seu crescimento pessoal e começa a ser despertada para a mudança e para o seu processo de evolução integral. Dessa forma:

A proposta da Abordagem Integrativa Transpessoal favorece a emergência na qual aspectos mais criativos, resilientes despontam no indivíduo de forma mais intensa. Tais elementos são possíveis na educação dessa nova consciência mais desperta, o desenvolvimento mais pleno do ser humano. É o aprender a conhecer, fazer, conviver e ser para se “estar” com qualidade no mundo (SALDANHA, 2012, p. 295).

Wilka Pinheiro Valente¹

Irene Dias de Oliveira²

¹ Graduada pela Associação Goiana de Ensino – Faculdade Anhanguera de Ciências Humanas . Especialização em Direito Agrário – Universidade Federal de Goiás. Especialização em Direito- Área de Concentração: Direito Penal e Direito Processual Penal – Pontifícia Universidade Católica de Goiás- PUC Goiás. Especialização em Psicologia Transpessoal – Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás –Universidade Internacional da paz (UNIPAZ) Goiás. Formação Holística de Base pela Unipaz. E-mail: wilkavalente@hotmail.com

² Coordenadora de Cursos e Projetos da Universidade Internacional da Paz; professora colaboradora da Faculdade Serra da Mesa (Uruaçu) e professora aposentada e colaboradora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. E-mail: irenefit486@gmail.com

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